quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

AND THE OSCAR GOES TO

Neste próximo dia 27 os olhares do mundo todo estarão voltados para o Kodak Theatre em Los Angeles/CA, onde a Academy Awards entregará o premio máximo da cinematografia mundial, o tão conhecido e por muitos esperados OSCAR.

Alguns chatos críticos de plantão diriam: “Ah mais o Oscar não é uma premiação Mundial, pois os vencedores são sempre Americanos” eu respondo: A Po**a do cinema é Americano, então nada mais normal do que eles serem os campeões, além do que, tal assertiva não reflete a verdade haja vista a possibilidade do maior ganhador deste ano ser um filme Inglês!!!

Blábláblás e Mimimis de lado, vamos ao que realmente interessa, o meu PALPITÃO dos possíveis ganhadores. Não que eu seja um especialista em cinema – NÃO SOU – mas como um voraz consumidor que sou, e sendo como tantos outros um Cinéfilo de fim semana eu me dou o direito de expressar minha opinião, que pode valer pouco ou quase nada, mas a dou mesmo assim.

Entregues as estatuetas, pode-se dizer que o Academy Awards 2011 foi o premio da previsibilidade. Sem novidades nem surpresas, quem tinha de ganhar ganhou, e o excesso de tradicionalismo prevaleceu.

Computados os votos, em termos numéricos A Origem e O Discurso do Rei empataram na liderança com quatro estatuetas cada. Porém categoricamente o filme de Tom Hooper foi o verdadeiro campeão, vez que a este foram dados os prêmios de relevância enquanto que para A Origem foram reservados os prêmios ditos técnicos. Sem mais delongas vamos aos vencedores.

So, and the Oscar goes to:

I – Melhor Filme:

Os indicados: * Cisne Negro / * O Vencedor / * A Origem / * O Discurso do Rei / * A Rede Social / * Minhas Mães e meu Pai / * Toy Story 3 /* 127 Horas / * Bravura Indômita /* Inverno da Alma

Quem leva: * O Discurso do Rei.

Quem eu gostaria que levasse: * A Origem

Quem levou: * O Discurso do Rei

A extensa lista de melhor filme, principal categoria da noite e que merece uma atenção especial, traz realmente ótimos filmes que fazem jus a figurar como possíveis ganhadores. Quase que indubitavelmente o Clássico Discurso do Rei será o vencedor desta e de muitas outras categorias, embora outros pudessem levar o título sem muitos questionamentos por parte do público em geral, dentre eles o Cisne negro que é uma verdadeira obra prima, Toy Story que levará na categoria animação, A Rede Social que havia disparado na frente na opinião dos críticos mundo afora e A Origem que é o filme mais inovador da lista e só não ganhará por ser assim, tão inovador, apesar de ser na minha opinião melhor conjunto.

II – Melhor Direção

Os indicados: * Darren Aronovsky - Cisne Negro / * David Fincher - A Rede Social / * Tom Hooper - O Discurso do Rei / * David O. Russell - O Vencedor / * Joel e Ethan Coen - Bravura Indômita

Quem leva: * Tom Hooper - O Discurso do Rei.

Quem eu gostaria que levasse: * A Origem; * Tom Hooper - O Discurso do Rei.

Quem levou: * Tom Hooper – O Discurso do Rei

Da lista apresentada sem dúvida o melhor trabalho é o de Tom Hooper que dá ao Discurso do Rei uma visão límpida da história que ele pretende contar, com tomadas amplas e iluminação clara. O que beira ao ridículo é a não Indicação de Nolan que além de dirigir também produziu e criou o incrível roteiro de A Origem.

III – Melhor Ator

Os indicados: * Colin Firth - O Discurso do Rei / * James Franco - 127 Horas / * Javier Bardem – Biutiful / * Jeff Bridges - Bravura Indômita / * Jesse Eisenberg - A Rede Social

Quem leva: * Colin Firth - O Discurso do Rei

Quem eu gostaria que levasse: * Colin Firth - O Discurso do Rei

Quem levou: * Colin Firth – O Discurso do Rei

A despeito de 2010 onde a disputa ficou entre Firth e Bridges e este último levou a estatueta, em 2011 o primeiro leva o prêmio apesar do ótimo trabalho de Jeff em bravura Indômita.

IV – Melhor Atriz

Os indicados: * Nicole Kidman - Reencontrando a Felicidade / * Jennifer Lawrence - Inverno da Alma / * Natalie Portman - Cisne Negro / * Michelle Williams - Blue Valentine / * Annette Bening - Minhas Mães e meu Pai

Quem leva: * Natalie Portman - Cisne Negro

Quem eu gostaria que levasse: * Natalie Portman - Cisne Negro

Quem levou: * Natalie Portman – Cisne Negro

Portman em uma das melhores atuações que eu já vi leva sem sombra de dúvidas o troféu de melhor atriz a não ser que ocorra um surto de loucura na academia.

V – Melhor Ator Coadjuvante

Os indicados: * Christian Bale - O Vencedor / * Jeremy Renner - Atração Perigosa / * Geoffrey Rush - O Discurso do Rei / * John Hawkes - Inverno da Alma / * Mark Ruffalo - Minhas Mães e meu Pai

Quem leva: * Christian Bale - O Vencedor / * Geoffrey Rush - O Discurso do Rei

Quem eu gostaria que levasse: * Christian Bale - O Vencedor

Quem levou: * Christian Bale – O Vencedor

O homem morcego leva a estatueta embora eu ache que o Rush possa surpreender na última curva.

VI – Melhor Atriz Coadjuvante

Os indicados: * Amy Adams - O Vencedor / * Helena Bonham Carter - O Discurso do Rei / * Jacki Weaver - Animal Kingdom / * Melissa Leo - O Vencedor / * Hailee Steinfeld - Bravura Indômita

Quem leva: * Melissa Leo - O Vencedor

Quem eu gostaria que levasse: * Hailee Steinfeld - Bravura Indômita

Quem levou: * Melissa Leo – O Vencedor

A atuação irretocável de Heilee, que definitivamente não deveria figurar na categoria coadjuvante por ser ela o fio mestre de Bravura indômita só não leva devido ao preconceito fato de ser uma Teen.

VII – Melhor Roteiro Original

Os indicados: * Minhas Mães e meu Pai / * A Origem / * O Discurso do Rei / * O Vencedor / * Another Year

Quem leva: * A Origem

Quem eu gostaria que levasse: * A Origem

Quem levou: * O Discurso do Rei

Somente se a academia enlouquecer o prêmio não irá para A Origem, embora, como todos lá são meio loucos existe a possibilidade de O Discurso do Rei ganhar.

VIII – Melhor Roteiro Adaptado

Os indicados: * A Rede Social / * 127 Horas / * Toy Story 3 / * Bravura Indômita / * Inverno da Alma

Quem leva: * A Rede Social

Quem eu gostaria que levasse: * Bravura Indômita

Quem levou: * A Rede Social

O filme do fac****K só leva pela aclamação que foi feito em cima da produção, mas Bravura indômita é muito mais Filme, assim mesmo, com F maiúsculo.

IX – Melhor Animação

Os indicados: * Como Treinar o Seu Dragão / * O Mágico / * Toy Story 3

Quem leva: * Toy Story 3

Quem eu gostaria que levasse: * Toy Story 3

Quem levou: * Toy Story 3

A terceira edição de Toy Story dispensa comentários, não há competição.

X – Melhor Filme Estrangeiro – Melhor Curta – Melhor Curta em Animaçao – Melhor Documentário – Melhor Documentário em Curta Metragem.

Sem PALPITÃO nestas categorias, pois não vi nada ou muito poucos dos indicados.

XI – Melhor Direção de Arte - Melhor Figurino - Melhor Maquiagem – Melhor fotografia – Melhor Edição – Melhores Efeitos Visuais – Melhor Mixagem e Edição de Som – Melhor Trilha Sonora – Melhor Canção Original.

Para as ditas categorias técnicas, por serem de menor expressão eu vou me ater apenas em apontar os ganhadores e tecer alguns comentários.

Melhor Direção de Arte: Impossível apontar o ganhador, a briga é grande entre todos concorrentes, destaque para Alice no País das Maravilhas e Harry Potter.

Quem levou: * Alice no País das Maravilhas

Melhor Figurino: Leva o Extravagante Alice no País das Maravilhas.

Quem levou: * Alice no País das Maravilhas

Melhor Maquiagem: Não vi nenhum dos indicados, sem PALPITÃO.

Melhor fotografia: Fica entre A Origem e Cisne negro com leve vantagem para o primeiro.

Quem levou: * A Origem

Melhor Edição: Leva 127 horas. Sinto aqui novamente a ausência da indicação de A Origem, mas deixa isso pra lá.

Quem levou: * A Rede Social

Melhores Efeitos Visuais: Sem dúvida leva A Origem.

Quem levou: * A Origem

Melhor Mixagem e Edição de Som: Novamente nesta categoria dupla leva A Origem.

Quem levou: * A Origem

Melhor Trilha Sonora: Mais um para o campeão da noite O Discurso do Rei.

Quem levou: * A Rede Social

Melhor Canção Original. Leva We belong togheter de Toy Story 3, embora eu ache que If I rise de 127 horas mereça e eu torço pra levar.

Quem levou: * We belong Togheter – Toy Story 3

Bom agora é só torcer e esperar os resultados!!!!

Na próxima semana eu atualizo o post com o resultado.

Cálculos finais:

O Discurso do Rei – 4 Prêmios.

A Origem – 4 Prêmios

A Rede Social – 3 Prêmios

Toy Story 3 – 2 Prêmios

O Vencedor – 2 Prêmios

Alice no País das Maravilhas – 2 Prêmios

Cisne Negro – 1 Prêmio

E que venha o Oscar 2012!!!

domingo, 21 de novembro de 2010

Eu Sei Mas Não Devia


Poema: "Eu sei, mas não devia"

Por: Marina Colasanti






Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.

E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.

E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.

E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado.

A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.

A comer sanduíches porque já é noite.

A cochilar no ônibus porque está cansado.

A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra.

E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.

E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.

E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.

A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.

A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita.

E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga.

E a ganhar menos do que precisa.

E a fazer fila para pagar.

E a pagar mais do que as coisas valem.

E a saber que cada vez pagará mais.

E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios.

A ligar a televisão e assistir a comerciais.

A ir ao cinema, a engolir publicidade.

A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma a à poluição.

À luz artificial de ligeiro tremor.

Ao choque que os olhos levam na luz natural.

Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável.

À contaminação da água do mar.

À luta.

À lenta morte dos rios.

E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.

Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.

Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.

E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesmo.

Ao fim, a gente se acostuma, MAS NÃO DEVIA

domingo, 3 de outubro de 2010

Depois?

"AMOR.
Anceios. Receios. Desejos.
Promessas de paraiso.
Depois sonhos. Depois risos.
Depois beijos.
E depois?
Depois Amados!
Depois dores sem remédio.
Depois prantos. Depois tédio.
E depois?
Depois NADA
"
PAULO MENOTTI DEL PICCHIA [1]


A madrugada já ia avançada; encontravam-se naquele breve momento, onde a noite já não mais conseguia manter sua escuridão, nem tampouco o dia tinha forças para raiar o sol.

Com os olhos pesados, ele mirou o espelho no lado oposto do quarto, e a imagem que viu refletida era, pra ele, quase que uma miragem.

Uma lufada de ar levemente frio, característico daquelas noites de inicio de outono golpeou sua face e ela simplesmente continuou ali, imóvel, sem mover um único músculo, deixando apenas seus pensamentos a levarem onde seus pés não podiam ir.

Ele se virou na cama, e após os segundos necessários para que seus olhos encontrassem o foco compatível com a meia luz do ambiente em que se encontravam ele pode vislumbrar as costas desnudas daquela que ele mais amava.

Apoiada com os cotovelos no parapeito da janela do 23° andar, ela revivia os maravilhosos momentos pelo qual acabara de passar.

Horas atrás ao chegar a seu apartamento ela se deparara com uma bela surpresa: já no corredor que ia do elevador à sua porta um caminho de pétalas, ladeado de velas conduziam seu caminho, e naquele momento um sorriso de satisfação percorria seu íntimo.

Como que em plena sincronia, os pensamentos dele também transitavam na noite que tiveram juntos.

Em pensamentos ele lembrou-se do olhar radiante que ela o havia dado ao cruzar a porta que os separavam, e perceber que ele a aguardava do outro lado da sala com um bouquet de rosas nas mãos.

Ela estava linda, como só ela podia estar, vestido leve sobre a pele, cabelos soltos e levemente bagunçados, o perfume que nesta hora avançada já havia se misturado com seu cheiro, e que pra ele era quase que um anestésico.

Abraçaram-se demoradamente, e ela o beijou com o melhor beijo do mundo, nesse breve momento suas pernas tremeram da mesma forma que haviam tremido tempos atrás quando se conheceram.

Ela queria saber o que, e porque daquilo tudo, mas sua resposta foi singela, Porque eu te amo! e era a mais simples verdade, ele a amava.

Ainda em seus braços ele pode ver uma lágrima solitária disparar rumo a suas bochechas, que coravam ao tom de morangos maduros; pulando em seu pescoço ela novamente o beijou.

Displicentes no chão da sala, beberam um vinho barato, e falaram da lua.

Depois jantaram a boa comida que ele dizia ter preparado.

Como que se depois de tanto tempo eu não soubesse, ela pensara, que ele mal sabe fritar um ovo, ou como que se eu não fosse reconhecer o fettuccine carregado no alecrim, que eu como toda semana no restaurante da esquina.

Mesmo assim, após satisfeita ela o elogiou e recostou-se em seu ombro.

Ele a afagou os longos cabelos castanhos, apertando levemente a nuca, e a beijou, uma, duas, dez vezes, correndo os dedos por sobre suas costas, e sentindo nesse momento a pele arrepiar-se, sorriu por dentro, ao perceber o efeito que ainda causava nela.

Afastou-se alguns centímetros para admirá-la, como você é linda, um sussurro saiu de seus lábios.

Com o ego quase que incontido, ela admirou seu olhos noturnos, de cílios longos, iguais aos que eram retratados nas velhas esculturas egípcias do museu que ela trabalhava.

Com verdadeira afeição ela escorregou a mão por sua têmpora direita, e apertou-lhe a nuca, trazendo-o junto a si, no mesmo instante em que ela sentia a palma da mão áspera atravessar o caminho do joelho ao fim de suas coxas, e não mais suportando a ânsia que a dominava ela pulou em seu colo e novamente o beijou, e como era bom o beijar, como era bom sentir o desejo que ele sentia por ela e que ela percebia aumentar, nesse momento.

Ele a virou sobre o tapete macio em que se achavam, e num ímpeto arrancou-lhe toda a roupa segurando os pequenos seios com ambas as mãos.

Podia sentia o desejo quente e úmido que emanava dela, e com todo seu ser fizeram amor, ou seria sexo? era os dois.

E se amaram, no chão, no sofá, e por fim na cama, que ele agora ocupava sozinho.

Satisfeita, de pé ao lado da janela, ela pode sentir ao longe o cheiro bom de café e de pão assando.

Ela não havia dormido um minuto sequer, e uma onda de cansaço percorreu seu corpo e ela espreguiçou-se.

Admirando-a ele sorriu ao vê-la espreguiçar, e sentiu uma pontada de desejo ao ver sua calcinha branca de algodão apertar-lhe a bunda, no movimento em que ela fazia.

Com a voz rouca, ele a chamou!

Ela se virou, e caminhou em sua direção.

Neste segundo uma brisa matinal correu pelo quarto, e algo misterioso aconteceu.

A cada passo que ela dava em direção à cama, era como se ela tivesse correndo na direção oposta, e um sentimento amargo apertava seu peito.

Após dizer seu nome, ele viu lampejar o sorriso que ela lhe deu.

Então ela partiu eternamente da janela rumo a seu encontro, e um frio incompreensivo mergulhou em seu estômago ao perceber algo diferente em seu semblante.

Sentada na ponta da cama ela pode perceber!

Não sabia o motivo, e em uma vã tentativa de achar uma explicação ela vasculhou seu ser.

Não houve resposta. Mas ela sabia, simplesmente sabia.

Os olhos se fitaram, e ao vê-la abrir a boca alguns milímetros ele chorou, um choro prolongado, sem razão, um pranto incontido. Ele chorou.

Ela se levantou, e com um nó na garganta colocou o vestido, que ele, horas atrás havia tirado.

Ela não precisava dizer, ele sabia o que seria dito e era demasiado doloroso ouvir, mas mesmo assim ela disse.

- Eu não te amo mais! Me desculpa.

Ecoou da sua garganta.

Ele queria saber o porquê, e sua pergunta foi quase que um pedido!

- Por favor, não!!!

- Eu não sei! Foi a resposta.

E era verdade, ela não sabia.

Tudo parecia em câmera lenta, ela foi em sua direção, e o beijo na testa que ela lhe deu foi gelado como a noite. Como ele queria que ela não o tivesse dado.

Ele não podia simplesmente aceitar. Mas não havia palavras em sua boca. Não havia nada que ele pudesse fazer, a não ser implorar, e ele implorou o quanto pode.

Mas foi tudo inútil.

Sob a soleira, ela deu uma ultima espiada no quarto por sobre seu ombro, e um triste pensamento lhe acontecia.

Até o amor, o mais puro e sublime amor, assim como todas as coisas também acaba, e a nós, simples amantes, só nos cabe amar.

Ela se virou e partiu.

[1] O Poema que abre o presente post, é uma reprodução não oficial do poema atribuido à Paulo Menotti Del Picchia. Del Picchia foi poeta, jornalista, advogado e romancista; paulista de Itapira, que viveu em São paulo entre os anos de 1892 e 1988, dentre suas obras estão: Poemas do vício e da virtude; Máscaras; Chuva de pedra; O amor de Dulcinéia; dentre outros diversos escritos.

 


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