A expressão da opinião é um dos assuntos
que volta e meia rondam meus pensamentos e meus bate-papos com amigos.
Talvez essa
minha atração e certa indignação pelo tema se deem porque, como alguns dizem,
vivemos na era da informação, o que quer que isso signifique, e com ela pipocam
pensamentos e expressões em tudo quanto é meio midiático (sites, facebook, twitter,
blogs e etc.).
Que fique
claro, eu não tenho nada contra a veiculação de informação, muito pelo
contrário, assim como Voltaire sou plenamente contrário a qualquer forma de
intolerância expressiva, e parafraseando o filósofo Francês “posso não concordar com uma só palavra que
me dizeis, mais defenderei até a morte seu direito de dizê-la”.
A meu ver,
o que vá lá não tem muita relevância, o problema não reside na forma e sim no
conteúdo das informações que se querem expressar, vez que a celeridade dos
tempos modernos pede que todos estejam sempre antenados a todos os assuntos,
mas que em afinco sejam desconhecidos por todos.
Assim, a
mecânica informativa atual gera um ciclo vicioso de completa preguiça
intelectual.
Por
exemplo: determinada pessoa quer saber sobre mitologia egípcia. Ela acessa a
Wikipédia, procura o verbete, lê a síntese inicial do assunto, acredita já ser
um expert no assunto e sai por aí
vomitando informações totalmente distorcidas.
O que quero
dizer, defendo e acho que seria totalmente válido, é que esta mesma pessoa,
após ler o artigo do Wikipédia, buscar a validade e maior profundidade nas
informações que aspira, de preferência, além de outros sites, blogs e etc., vá
aos livros.
Em suma,
antes de exprimir qualquer opinião leia, estude, leia, pesquise, leia, se
informe, leia, pergunte, torne a ler e se ao fim achar necessário, leia mais um
pouco, porque só aí, a não ser que você seja um super gênio, terá arranhado a
superfície de qualquer assunto, e então, com a consciência tranquila passe
adiante o conhecimento absorvido e estimule que outros passem pelo mesmo
processo que você e melhore aquilo que você fez.
Quem sabe
deste modo, a instalada preguiça intelectual possa ser substituída pela
proliferação de ideias sedimentadas e estimulantes que provoquem um caminho
inverso ao que vivemos.
Talvez
aqui, alguém vire e exponha pra si:
- Ah,
mas esse cara nem sabe o que tá falando, opinião é igual **, cada um tem o seu.
E eu lhe
respondo, mesmo sem você perguntar:
- Vá à mer** seu preguiçoso dos infernos.
Perdoem-me
a hipérbole, mas é justamente este tipo de pensamento que nada enriquece que
fustigo neste post, pois realmente, opinião cada um tem a sua, mas geralmente a
subjetividade empregada é inversamente proporcional à validade da informação
que desta opinião se extrairá, e no fim, tudo deságua na tal preguiça de
pensar.
Assim, não
me venham dizer que opinião é tudo igual!
Exemplificando
com um tema que gosto muito, se uma pessoa vira e diz:
- Os
livros, As crônicas de gelo e fogo são ruins.
E outra diz
em contraponto:
- Os livros, As crônicas de gelo e fogo são
bons.
Neste caso,
teríamos duas opiniões totalmente subjetivas, opostas e igualmente válidas, uma
anulando a outra. Mas não se pode concordar que duas opiniões sejam iguais no
seguinte exemplo:
- Os
livros, As crônicas de gelo e fogo são ruins.
- Os
livros, As crônicas de gelo e fogo são bons, porque apesar de serem livros de
fantasia, o escritor se utiliza de uma trama política para conceber a
identificação do leitor com os personagens, o que faz com que a fantasia, na
narrativa, fique em segundo plano, sendo conquistada arduamente, e dá
verossimilhança aos argumentos utilizados.
Para tal
exemplo, como no anterior teríamos duas opiniões opostas, mas, todavia não são
igualmente válidas, isto porque, ainda que o livro seja uma bos**, o que fique
claro eu não acho, a segunda assertiva trouxe elementos substanciais, não se
limitado a dar uma visão emotiva e vaga do todo, então, eu como leitor, ainda
que discorde, teria de dar maior valor à segunda opinião, pois trouxe elementos
que justifiquem a subjetividade inicial empregada.
O que quero
dizer é que se você quer falar sobre algo, ÓTIMO, uma pessoa a mais para
estimular o diálogo, mas cuidado o faça de modo consciente, sabendo que muitas
vezes seu interlocutor levará o que você disser como verdade.
Doutro
lado, se você for o receptor da mensagem, não acredite piamente em tudo o que
lê, vá ao vizinho, cheque, pegue mais informações, porque ao fim, sempre ou
quase sempre, quem está te transmitindo uma ideia está redondamente enganado.
Ei! O que
você ainda tá fazendo aqui? Vá já procurar saber mais sobre esse monte de
baboseira que acabou de ler!!!!